Guerreiro Espartano da vida. Era assim que André gostava de ser chamado. Queria ver um sorriso se abrir de repente era só dizer essas quatro palavras.
Amanhã, dia 9, faz um mês que ele faleceu. Faz um mês que me senti sem chão algum, me sentindo culpada por uma série de fatores. Por que não liguei mais? Por que teve que acontecer isso com ele? O que eu deixei de fazer? Por que não mandei a foto com a dedicatória que havia prometido? Por que não falei tantas coisas que estavam engasgadas? Por que não falei que achava que era melhor que ele voltasse a São Paulo para continuar o tratamento aqui? Por que não enviei o meu TCC (que falava a respeito da complicação que ele tinha) inteiro, para ele poder ler? Por quê? Por quê? Por quê? Sei que pensando em trilhões de coisas, chorei feito criança por ter acreditado piamente em uma cura que durou pouco, muito pouco.
Ouvindo a banda que apresentei à ele e que ele adorava,
Coeur de Pirate, meus olhos enchem de lágrima e tenho vontade de gritar, falar pra quem quiser ouvir sobre a falta que ele me faz. Das ligações, daquele sotaque típico da Bahia, com a fala mansa, me chamando de manteiga derretida. E sou mesmo porque a vontade de chorar sempre vem à tona e as lágrimas sempre escorrem quando penso em tudo o que ele representa pra mim.
Ô Guerreiro, por que nos abandonou? E eu, sua mãe, seu irmão, seus filhos, a Cá, o Zouk, a dança, os seus grandes amigos... como ficamos? Sem o seu sorriso contagiante, sem a sua vontade de viver que impressionava qualquer pessoa?
Saudades, saudades, saudades. Sinto muita falta dele e tenho muito orgulho de um dia ter tido um paciente como ele. Como costumava dizer ele era o paciente que qualquer profissional gostaria de ter.
Agradeço sempre por ele ter entrado no meu caminho, naquele quarto 115, para me ensinar a dar valor verdadeiro à vida, fazendo com que eu aprendesse que trânsito, atrasos, palavras mal humoradas, uma comida ruim não eram (e não são!) problemas de verdade. São apenas besteiras, que logo esquecemos.
A saudade por aqui é grande, absurda, meu querido amigo e guerreiro André.
Nota: durante todo o texto escrevi como se fosse para ele ler. O "você" queria tomar o lugar do "ele" o tempo todo - e com razão -, afinal parece que ele ainda está tão próximo de mim.